Alta no preço dos combustíveis: quais as possíveis causas?

Levando-se em consideração os aspectos sociais e econômicos em que o país se encontra, é de conhecimento comum o fato de que os valores dos combustíveis vêm sofrendo aumentos consecutivos, alcançando, até o presente momento, uma majoração de cerca de 32% (trinta e dois por cento) somente no ano de 2021.

Tal fator desenfreado põe os brasileiros em uma situação de “mãos na cabeça”, visto que o valor do combustível não influencia somente no transporte pessoal – o que é imprescindível -, mas também em toda a rede econômica, já que a maioria do transporte de matérias primas e alimentação é feito por meio de caminhões. Ou seja, de maneira didática, se o valor da gasolina/diesel/ etanol sobe, consequentemente trará impactos em diversos outros setores que dependem exclusivamente deste meio para transportar suas cargas. É, portanto, um efeito “dominó”.

Nesse sentido, trata-se importante observar os eventuais fatores que podem estará a influenciar essa destacada alta.

Em primeiro momento, necessário frisar que a desvalorização da moeda brasileira tem sido colocada por alguns estudiosos como o principal motivo das altas experimentadas. Apontam alguns que o quadro de escalada de desvalorizações do Real especialmente frente ao dólar (moeda sob a qual o petróleo é vinculado), tem causado grande impacto na forte repercussão dos altos preços dos combustíveis. Inclusive, a título de conhecimento, há dados que indicam que a moeda brasileira foi uma das que mais se desvalorizaram nos últimos anos, o que estaria a ser motor de alavanque do preço dos combustíveis.

Além disso, outra questão de inegável debate é a possibilidade de impacto causado pela pandemia decorrente do COVID-19. Isso porque, ao analisarmos o mercado externo, obviamente que o petróleo é fator de grande destaque, de modo que qualquer recuperação em sua cotação/valor pode repercutir numa valorização e consequente crescimento do preço do combustível. Só para se ter uma ideia, o preço do barril do petróleo está em torno de US$ 70,00 (setenta dólares), o que corresponde a cerca de o dobro do praticado em outubro de 2020, e que, por isso, estaria a gerar grande repercussão nos seus derivados, como os combustíveis.

Some-se a isso também os tributos incidentes sobre os referidos combustíveis. Aliás, recente é uma discussão de que o aumento do preço dos combustíveis está atrelado ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Trata-se de imposto de competência estadual e que, realmente, tem forte impacto no preço de combustíveis como a gasolina. Segundo alguns, a culpa é dos Estados, que estariam cobrando uma alta alíquota do ICMS sobre o valor dos combustíveis; outros, todavia, contestam e ressaltam que essa alíquota proporcionalmente não subiu nos Estados, o que não justificaria o grande aumento do preço.

Assim, várias são as questões a se analisar para tentar compreender isso que tem causado grande dor de cabeção na nossa população. Contudo: fato indiscutível é: há um grande aumento no preço dos combustíveis e que precisa ser destacadamente analisado politicamente e pela população. O preço do combustível na bomba é, afinal, não apenas questão de importante fator para locomoção de veículos; mas, especialmente, valor que repercute em uma gigantesca cadeia de transporte de produtos que estão na mesa do brasileiro e que, por isso, são capazes até de gerar forte discussão sobre a própria dignidade da pessoa humana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima